EM TEMPO, 1 de abril de 2017

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Apagão revela insuficiência elétrica no Amazonas.

A falta de energia repentina que atingiu toda a cidade de Manaus durante a madrugada dessa sexta-feira (31) trouxe várias complicações. Mas além de causar prejuízos para o comércio, de ser o motivo do cancelamento de aulas na rede pública de ensino e de gerar transtornos no trânsito, o apagão pode ser o indício de um problema ainda maior. Apesar do desligamento ter ocorrido em Oriximiná (PA), o fato acabou atingindo o Amazonas, o que mostra que o Estado ainda não é autossuficiente em energia.

Em nota, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou que às 5h24 (horário de Brasília) houve o desligamento automático dos dois circuitos da linha de transmissão 500 kV Oriximiná-Silves, de propriedade da Manaus Transmissora de Energia, separando Manaus do Sistema Interligado Nacional.

Os transtornos por causa da falta de energia vão desde complicações no trânsito até prejuízos no comércio – Divulgação

“Houve interrupção total das cargas de Manaus, que totalizavam cerca de 1.000 MW no momento da ocorrência. Na ocasião, o tempo se encontrava chuvoso, com descargas atmosféricas. Já às 6h07 foi iniciada a normalização das cargas – cerca de 30 MW – através de geração local. Às 8h30 foi concluída a normalização das cargas, e o ONS e os agentes estão analisando as possíveis causas do apagão”.

Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas do Estado do Amazonas (Situam), Edney da Silva Martins, o apagão de natureza técnica que ocorreu hoje não foi resultado do problema da concessionária de energia, mas que o problema aponta para a necessidade de modernização do processo de distribuição elétrica em Manaus.

“O restabelecimento foi rápido na usina de Tucuruí, o problema foi no processo de retorno em Manaus. São necessárias melhorias na área de transmissão e subtransmissão, com equipamento mais moderno e automatizado. Se já estivesse atualizado o sistema, a volta da energia teria sido mais rápida”, disse.

Martins ainda explicou que é normal no Brasil que grandes usinas nem sempre estejam próximas dos grandes centros, e que no caso de Manaus depende do que vem de Oriximiná.

De acordo com a diretora comercial da Eletrobras Distribuição Amazonas, Andressa Oliveira, como mais de 60% da energia que Manaus consome vem do linhão, o sistema todo teve que ser deligado para evitar que reações em cadeia acontecem. Ela ainda informou que não há previsão de novos apagões.

O reestabelecimento foi rápido na usina de Tucuruí, segundo Edney Martins – Divulgação

Prejuízo no comércio local

Comerciantes e consumidores também foram prejudicados. O setor de panificação foi um dos mais afetados. Segundo o dono de uma padaria, 37 anos, que pediu para não ter o nome divulgado, a falta de energia deixou prejuízos no bairro São Jorge, Zona Oeste.

“Costumamos abrir a panificadora às 5h, e a energia só veio normalizar às 8h. Agora que veio sair a primeira fornada de pão. Também trabalhamos com revendas de salgados para lanchonetes de hospitais e escolas. A produção também foi afetada, porque usamos formo elétrico, e as entregas já deveriam ter sido feitas. Isso é uma falta de respeito, porque pagamos caro e acontece esse tipo de situação”, relatou o comerciante.

Nas redes sociais, outros comerciantes se manifestaram. “Tenho uma panificadora na Zona Leste e pago quase R$ 5 mil de energia elétrica, e hoje fiquei no prejuízo”, comentou um internauta na página do EM TEMPO no Facebook.

Escolas da rede pública na capital também tiveram que cancelar suas atividades também pela falta de energia. A Manaus Ambiental informou que o abastecimento de água de toda a cidade foi prejudicado depois do apagão.

Manoela Moura