Belém deve ser a primeira capital na Região Norte a controlar óbitos da covid-19, aponta estudo - Crédito: Agência Pará

Crédito: Agência Pará

Manaus e Belém estão mais próximas de avançarem para a fase final da pandemia de Covid-19, segundo o Atlas ODS Amazonas da Ufam (Universidade Federal do Amazonas). O estudo identifica que as duas cidades tiveram maiores índices de isolamento, por mais tempo e antes das demais capitais da bacia amazônica. Veja a pesquisa completa aqui.

 

A pesquisa avaliou o avanço da pandemia em Manaus, Belém (PA), Boa Vista (RR), Macapá (AP), Rio Branco (AC) e Porto Velho (RO) com dados de até a última sexta-feira, 12. Observou-se que em relação à data estimada para o alcance de 97% dos registros de mortes estimadas, Manaus e Belém estariam na mesma posição, ou seja, a seis dias de alcançar esse registro.

 

Isso as coloca em situação de serem as primeiras, dentre as seis capitais, a avançarem para uma próxima fase da pandemia, diz o Atlas ODS. As demais estariam ainda em fases iniciais, sendo o caso mais acentuado o de Porto Velho, que está a 53 dias de chegar a esse percentual de mortes estimadas.

O estudo também mostra que os números de mortes são proporcionais à variação de população total entre as capitais analisadas.

Manaus e Belém, que são municípios com mais de 1,4 milhão de habitantes, registraram números acima de 1,5 mil óbitos, sendo que Belém poderá alcançar a maior taxa de mortalidade estimada de 116 óbitos por 100 mil habitantes, seguida de Porto Velho com uma taxa de 99 mortes por 100 mil habitantes. As menores taxas esperadas são as de Boa Vista e Macapá, em torno de 48 óbitos por 100 mil habitantes.

A pesquisa estima que, se o modelo adotado no estudo estiver corretamente ajustado para a curva de cada um dos municípios examinados, as projeções feitas até o marco de 97% dos óbitos previstos indicam que Boa Vista, Macapá, Rio Branco e Porto Velho serão as últimas capitais localizadas na Bacia Amazônica a controlarem a pandemia, nessa ordem.

As razões para isso podem estar ligadas a vários fatores, segundo o levantamento. Um deles pode ser a diferença na data de início da transmissão comunitária nessas capitais. A aceleração da transmissão começou primeiro em Manaus; 4 dias após, em Belém e Rio Branco, depois em Macapá após 6 dias e, finalmente, em Porto Velho, em 8 dias após o início em Manaus. Porém, essas pequenas diferenças em dias não seriam suficientes para explicar as variações entre as curvas de óbitos em cada capital.

Outro importante componente que pode determinar essas divergências são as respostas das populações em termos de isolamento social. Até a terceira semana de março as cidades mostram o mesmo padrão, com maiores picos de isolamento na penúltima semana daquele mês, lideradas por Rio Branco e Porto Velho.

Após isso, as capitais passaram a mostrar diferentes comportamentos. Em maio, Boa Vista, sempre com o menor índice de isolamento, teve o mesmo padrão de variações que Porto Velho e Rio Branco. Esta última capital sempre teve os maiores índices de isolamento, mesmo em períodos anteriores ao da pandemia, dentre as capitais mais ocidentais.

Manaus despontou ao apresentar a maior extensão de altos índices de isolamento em relação às demais capitais ao longo das três primeiras semanas do mês de abril. A partir daí e durante o mês de maio foi Belém que liderou esse ranking. Esses dois longos períodos de isolamento podem ter feito com que essas capitais tenham conseguido avançar para as fases tardias da pandemia antes que as demais capitais, e Manaus antes que Belém.

Manaus e Belém também seguem no mesmo ritmo ao proporem a reabertura escalonada do comércio não essencial a partir de 1º de junho, apesar de a capital do Pará ter tido uma queda significativa no isolamento social a partir da segunda quinzena de maio, fazendo com que registrasse o pior desempenho do grupo nas primeiras semanas de junho.

Porto Velho foi a única capital da região que já teve que reverter suas medidas de reabertura das atividades não essenciais. A pesquisa atribui isto ao fato de o Poder Municipal ter determinado o retorno de diversas atividades dentro do período de 23 de abril a 04 de maio. A melhora se deu após decreto do governo estadual no início deste mês que adotou medidas mais rigorosas de isolamento social na capital de Rondônia.

Fontes:

https://amazonasatual.com.br

https://radaramazonico.com.br/wp-content/uploads/2020/06/boletim_ATLAS-COVID-19-vol-2-nr-11.pdf