Guida e Iracema
Havia uma rivalidade, mas de brincadeira, entre as tripulações da Iracema (dos Guerreiro de Oriximiná) e da Guida (dos Guerreiro do Agereua), sem que os respectivos donos soubessem, era só mesmo entre as duas tripulações. Faziam versos de desafio, chulas, enfim, se divertiam. Aqui está uma letra feita pela tripulação da Iracema:

"Iracema saiu de Óbidos
Com o atraso de uma hora,
Guida ia convencida
Que desta vez ia embora,
Mas Iracema, a possante,
Corria que nem navio,
Não temeu o seu atraso
E aceitou o desafio
Guarnece o fogo, foguista
Não deixa o fogo apagar;
Nós temos que pegar a Guida
Antes dela atracar.
E foi o que aconteceu
Com aquela nossa corrida.
Quando avistamos a Guida
Sabíamos estar perdida.
Deixamos a margem do rio
Defrontando o Cachoeiri,
Adeus Guida, ja ficaste
Ao passar o Iripixi.
Guarnece o fogo, foguista...
E assim chegamos primeiro
A nossa Oriximiná
Mostrando que a Iracema
Ninguém a pode passar"

O Primeiro Jornalzinho
O primeiro jornalzinho que conhecemos em Oriximiná foi o "Estudante" que, a principio, era manuscrito e depois datilografado pelo estudante Ariowaldo Wanzeller Figueira (Gungy), meu irmão, tendo como redatores: Professora Adélia do Brasil Figueira; Professor Dr. Antonio Terra de Oliveira, Olívio Almeida e Antônio Moreira da Rocha.

O primeiro time de futebol de Oriximiná
Em 1926 foi fundado, talvez, o primeiro clube de futebol que recebeu o nome de Oriximiná Futebol Clube, cujo time fez a sua estréia jogando com um selecionado em Óbidos a 1° de janeiro de 1927, perdendo pelo escore de sete tentos a um (7 x 1).
Tomaram parte no time do Oriximiná: Esmeraldo Carvalho, goleiro; Antonio Guimarães e Augusto Quintas, beques; Pedro Guerreiro, Geraldo Azevedo e Demósthenes Guerreiro, halfes; Duca Souza, Grouxy, Zédiniz, Dionísio Guimarães e Macaco, linha.
O único tento do Oriximiná foi feito com a mão por Zédiniz.

Chico Amarelo
Não sabíamos o seu nome, mas devia ser Francisco, pois era conhecido como "Chico Amarelo". Era um rapaz claro, bem parecido, mas bebia demais ate cair. Deitava pelas calçadas, dormindo, quase sempre por perto da casa do Tabelião Enéas, para quem "enchia água" quando estava sóbrio.
Dele nada se sabia. De onde veio, quem era, se casado, solteiro, viúvo, nada. Sempre calado quando estava sóbrio, o que era raro. Não prejudicava ninguém, a não ser a si próprio. Quando se passava por ele e se perguntava que foi isso Chico? Não se aborrecia, nem zangava e imediatamente vinha a resposta: "E, meu branco, quando a cabeça não pensa, o corpo e que padece. "Eu, rapazinho, nem compreendia...

Maria Mesquita
Era uma mulher, baixa, magrinha, não devia ter muita idade, mas estava muito maltratada, porque gostava de beber e vivia quase sempre embriagada.
Era conhecida por todos como benzedeira, pois a sua mania era benzer. Pegava um ramo de uma planta chamada "vassourinha" e com ele fazia cruzes na cabeça, nas costas, corpo das pessoas, rezando ora,coes para tirar "mau-olhado", "feitiço" e tudo o mais.
Nao rezava coisa nenhuma, queria era dinheiro para comprar a sua cachacinha.
Era conhecido pelo nome de "Calafate" porque era essa a sua profissão. Frequentava a casa comercial do Guimarães, com quem conversava muito e recebia o melhor apoio, contando tudo o que lhe acontecia e ate as propostas que recebia para trabalhar.

Feliciano Calafate
Sua mania era ler o Dicionário para empregar "convenientemente" as palavras. O Guimarães (Antonio Bentes de Oliveira Guimarães), que era alegre e gostava de brincar, sempre o provocava para receber as respostas, quase sempre disparatadas.
Certa vez o Guimaraes lhe perguntou: "Como é Calafate, aceitaste o contrato para o trabalho do qual me falaste?" - "Qual nada, seu Guimarães, eu defequei do trabalho". E o Guimarães insistiu: "então defecaste?" "Sim, era muito trabalho e pouco dinheiro." Era o que o Guimarães queria para se divertir.
Ele havia lido no dicionário que defecar significava também desistir... Todos o conheciam como Calafate Dicionário e procuravam conversar com ele para ouvir os disparates.