J. Coelho
É agosto, domingo.
Domingo primeiro.
Estouro de fogos
e repicar de sinos.
Acorda Oriximiná,
pro teu padroeiro celebrar.

Sobre o cristalino do Trombetas,
nas sombras do alvorecer,
serpentes de luz de velas,
como velas de barquetas,
deslizam para indicar
de Santo Antônio, a passarela.
Enquanto o azul esverdeado
do belo Nhamundá,
faz-se mais azulado,
para a festa da fé iniciar,
homens, com o coração mais encantado,
dirigem ao porto seu caminhar.
Vivas, aplausos, exclamações
saúdam o  dragão iluminado,
cortejo de embarcações,
num rio de velas, como céu estrelado.
Dos fogos, o colorido,
relevo em céu prateado,
vivas ao desembarcar,
de Santo  Antonio mui amado,
menos de Lisboa, ou de Pádua,
muito mais de Oriximiná.