Memórias de Oriximiná
A história de Oriximiná, como de tantos outros lugares, é povoada por tragédias marcantes que ainda estão ou estiveram presentes na memória coletiva do nosso município. Pretendemos aqui resgatar alguns desses episódios.

Vamos iniciar por um episódio ocorrido em 1943, que foi o naufrágio do navio fluvial Moacyr, em viagem de Belém para Manaus. O Moacyr soçobrou ao largo da ponta Inajatuba, na baía de Marajó, às vinte e três horas e vinte minutos do dia 16 de junho de 1943, no município de Curralinho. Esse naufrágio teve muito significado para Oriximiná porque dentre os 45 passageiros e tripulantes que se salvaram encontravam-se dois ilustres oriximinaenses: Helvécio Imbiriba Guerreiro e Altino Bentes de Oliveira Guimarães. Helvécio se salvou segurando uma porta de camarote que flutuou ao seu lado e Altino teria sobrevivido agarrando-se a um barril de combustível.

Leia notícia veiculada na época no jornal A Noite, “garimpada” por Sérgio Guerreiro, um dos filhos de Helvécio Guerreiro.

Naufrágio do Moacyr
Jornal A Noite
Sexta feira, 18/06/1943
75 passageiros desaparecidos

O naufrágio do navio “Moacyr” no Rio Amazonas. O sinistro teria sido consequência de uma explosão a bordo
Belém, 18 (A.N.) – O navio fluvial “Moacyr”, saído ontem do porto desta capital com destino ao de Manaus, naufragou à altura do município de Curralinho. Tudo indica que o naufrágio foi consequência de uma explosão a bordo, pois aquele barco conduzia entre outras cargas tambores de óleo. O fato deu-se à meia noite. Dos passageiros e tripulantes, em número de 120, até agora só se tem notícias apenas de 45. O “Moacyr” era um dos modernos “gaiolas” que faziam a linha Belém-Manaus.
Belém, 18 (A.N.) – A cidade recebeu dolorosamente a notícia do afundamento do navio “Moacyr”, da firma Ferreira D’Oliveira & Sobrinho. Telegramas recebidos aqui dizem que o “Moacyr” naufragou na altura do município de Curralinho, após uma explosão da qual não se sabe a verdadeira causa. O navio levava 1.700 tambores de óleo. Saído de Belém às 17 horas da terça-feira última, o “Moacyr” viajava sob o comando se Raul Santa Helena do Couto, conduzindo, entre passageiros e tripulantes, 120 pessoas. Dizem as notícias que o navio afundou em chamas, não havendo notícias do comandante e de muitos outros passageiros e tripulantes. Dos sessenta e um passageiros sabe-se que foram salvos até agora trinta e poucos, os quais estão viajando com destino a Belém e a bordo do navio “Marcílio Dias”, que acorreu ao local da dolorosa ocorrência. O “Moacyr” conhecido como o “Cisne da Amazônia”, deslocava 478 toneladas brutas e 393 toneladas líquidas. Foi construído nos estaleiros Murmock and Murray, na Inglaterra, no ano de 1911, sendo todo de aço. Calculam-se em mais de Cr$ 3.000.000,00 os prejuízos causados pelo sinistro. Para o lugar da ocorrência seguiu um rebocador sendo mobilizadas para o serviço 8 embarcações do porto de Curralinho. Na tarde de ontem voou com destino ao mesmo local um avião da base aérea de Belém. O local da ocorrência é o mesmo em que há tempos naufragou o vapor inglês “Cyniel”. Os náufragos são esperados hoje em Belém.


Em seguida "O Incêndio do Barco-Motor Niteroi".