Opinião

Insensato coração

Quatro da tarde, na Padre Eutíquio. Uma fila dupla em pisca alerta na porta da Caixa Econômica. A pista reduzida para dois veículos. Simultaneamente um carro sai de um estacionamento e outro manobra para estacionar bem em frente. Os dois carros fecham inteiramente a rua. Um concerto de buzinas e xingamentos até o final das manobras. E os carros em fila dupla, piscando, piscando... E, no entanto, eu amo esta cidade.

Cinco da tarde, na Serzedelo. Um pequeno caminhão estaciona na porta dos fundos do supermercado Líder. Certo. Um caminhão bastante maior para bruscamente do outro lado da rua, em paralelo ao pequeno. E outro caminhão larga uma caçamba de ferro para entulho no meio da rua, frente a um canteiro de obras. Passagem para um só veículo. Novo concerto de buzinas. Os motoristas dois caminhões olham do alto, indiferentes... E, no entanto, eu amo esta cidade.

Governador José Malcher ou São Jerônimo, Padre Eutíquio ou rua dos Cabanos, Magalhães Barata ou Independência, Júlio César ou Estrada do Aeroporto, Estrada Nova ou Bernardo Sayão, Mariz e Barros ou Estrela, Conceição ou Fernando Guilhon – eu não sei se existe outra cidade com tantos nomes duplos para logradouros públicos. Um no mapa e outro na boca. E, no entanto, eu amo esta cidade.

Tempo de chuva, tempo de cheia. Tento sair, a rua é um rio marolado pelos carros. Na esquina, uns sujeitos sem camisa nem se importam com o temporal. Tipos suspeitos, claro está que esperam gente boba que nem eu. Volto, desisto do pão. O telefone emudece a intervalos há dias. Reflito que a Oi deve ter sido programada para trabalhar no Saara, porque não suporta chuva. Deixo as lanternas à mão, porque a possibilidade de faltar energia é alta. Mas, no entanto, eu amo esta cidade.

Há dois domingos falta água sem aviso prévio. Quer dizer, dois domingos e parte dos dias de carnaval. Nada demais: o fornecimento de água vem sendo interrompido com mais frequência do que se desejaria. Cai água do céu em toneladas, mas a da torneira some – é um paradoxo, por certo, e, por isso, não consigo entender. No entanto, eu amo esta cidade.

À noite, tranco a casa, por medo de ratos. Eles já me destruíram um fogão, quando as janelas ficavam abertas. É verdade que com a chuvarada eles diminuíram um pouco, mas só um pouco. Eu gostaria de ter uma coruja ou uma jibóia no quintal, mas o Ibama não vai deixar. Mas, mesmo com a casa trancada, os carapanãs não dão sossego. Mando dedetizar a casa (não há mais DDT, mas “desinsetizar” é uma palavra horrível) e o alívio é só de uma semana. Uso inseticidas e repelente e aquela raquete terapêutica que permite matar carapanãs com um toque infantil. Não há mês que melhore, porque os canais abertos não vão permitir. Mas eu amo esta cidade!

Ah, insensato coração...

Ana Monteiro Diniz (http://amdiniz.blogspot.com.br), segunda-feira, 10 de março de 2014. Escritora e jornalista, nasceu em Oriximiná.

 

O grande desfile

Foi o maior desfile de todos os tempos por aqui: na BR-316, saída de Belém. Centenas de carros paralisados pela burrice antológica de frear os carros por meio de obstáculos nas rodovias: semáforos, lombadas, radares e etc. O dia inteiro dentro de um carro, para quem só tem três para se divertir ou descansar – é demais.

Havia carrinhos, carrões. Verdadeiras alegorias rumo à praia: tem gente que leva até geladeira na picape. Gente mascarada com óculos escuros, gente escondida em carros também escuros. Todas as cores do arco-íris brilhando na avenida, digo, rodovia. Um repique de buzinas. Êta, carnaval pai d’égua!

A responsabilidade, ou culpa, não é só das autoridades. Elas respondem apenas pela burrice de considerar uma estrada como uma rua qualquer, da mesma forma como colocaram uma arara fiscalizando 60 km/h de velocidade máxima no acesso ao aeroporto – inclusive de madrugada, vejam só! Mas Belém tem um trânsito tenebroso porque o desrespeito é um hábito arraigado. Grande quantidade de pessoas não considera a disciplina do trânsito como um marco civil, alguma coisa que preserva a vida, o direito de ir e vir, a convivência harmoniosa entre cidadãos. Elas a encaram como um estorvo a ser retirado do cotidiano. E cobram fiscalização – mas para os outros.

Há algumas lideranças nessa ideologia, se podemos chamar assim. Em primeiríssimo lugar, os condutores de ônibus. Não há neles qualquer resquício, ideia que seja, de manter-se dentro, já não diria da lei, mas da civilidade. Eles avançam sinal, fecham cruzamentos, apanham e largam passageiros no meio da rua, mudam o percurso sem aviso prévio, bloqueiam ruas inteiras, realizam pegas, ultrapassam pelo acostamento e, sempre que possível, avançam sobre os carros menores para tirá-los da frente. Desculpas? Várias: o horário, o engarrafamento, o alagamento... Mas são só desculpas; a verdade é que nada acontece com eles. As empresas não punem e sequer registram as queixas dos usuários. Com isso, eles se tornaram os profissionais da bagunça.

Logo em seguida aparecem os motoloucos. Compõem um grupo de motociclistas, talvez nem a maioria, mas extremamente significativo. Eles ignoram solenemente o fato de que parachoque de moto é cabeça de motoqueiro e o paralamas, suas pernas. Vivem em alto risco, inclusive servindo de condutores para bandidos. Consideram-se espertíssimos ao cometer todas as imprudências – e infrações – que podem. Muitos deles terminam no Renato Chaves. Mas isto não está sendo lição suficiente: eles conseguem ocupar alas inteiras do Hospital Metropolitano, cheios de ferragens, de onde sairão com sequelas para toda a vida.

Em terceiro lugar vêm os pedestres. Sim, os pedestres. Boa parte deles só usa as faixas de segurança se elas estiverem bem no caminho: se houver necessidade de andar dez passos para o lado e esperar, pode estar certo de que eles não farão isso. Eles se aglomeram nas pistas, alegando que perderão o ônibus se ficarem nas paradas; descem da calçada e andam pelo leito da rua, alegando que há perigo de assalto perto das casas ou que as árvores atrapalham.

E, finalmente, aqueles que dirigem achando que são imunes a tudo: à lei, ao fiscal do trânsito e até ao acidente. Esses donos da carteira, hábeis na carteirada e no suborno, geralmente são péssimos motoristas – afinal de contas, porque deveriam aprender, não é mesmo? A solução deles é outra... – e costumam usar a fila dupla e o pisca alerta com a naturalidade de quem tem a rua inteira para si. Dirigem perigosamente, porque dirigem mal; e conseguem transformar avenidas em caminhos estreitos de via-sacra.

Todos esses tipos participaram do maior desfile de todos os tempos em Belém. Sem nem pressentir que dançavam um baile de incompetência e deseducação. Afinal de contas, desfiles como esse do carnaval acontecem o ano inteiro, quase todos os dias, em Belém.

Ana Monteiro Diniz (http://amdiniz.blogspot.com.br), segunda-feira, 03 de março de 2014. Escritora e jornalista, nasceu em Oriximiná.
 

Cínicos!

Delúbio & Cia mandaram um recado para o país: Tô nem aí, tô nem aí... A média das doações para as multas sobre os condenados do mensalão foi de quase 500 reais por cabeça. Essa rica militância, que pode dispor do bolso com tanta facilidade, também propicia algumas constatações: de que o julgamento do mensalão talvez tenha engripado, mas não deteve a máquina da corrupção; e que a concentração de dinheiro em poder da União passou da conta, porque o dinheiro some e ninguém dá por falta. 
Os ônibus incendiados em São Paulo já chegam a 180, em dois meses. E um iluminado policial explica que cada caso é um caso, geralmente relacionado a uma ação policial com morte. 
O recente apagão foi culpa de... um raio! Ah, Brasil maravilhoso, onde as linhas de transmissão são perfeitamente mantidas, mostra a tua localização! E vem o ministro Lobão dizer que há excedentes de energia elétrica, quando grande parte do país ainda está na fase da lamparina! 
Um real sozinho não compra mais nada. As notas de cem se tornam cada vez mais comuns. Há dois anos não se cumpre nenhuma meta de controle da inflação. E o ministro Mantega vai para a tevê dizer que está tudo sob controle... 
Roseane Sarney justificando a violência porque o Maranhão está mais rico... 
A FIFA deixou de se preocupar. A Copa será totalmente brasileira, porque foram os brasileiros que compraram 80% dos ingressos. Tudo o que falta fazer pode ficar sem fazer que não terá importância – será um problema doméstico. Como os jurássicos do rock, ela também veio pegar o seu na economia emergente. E só. 
Renan Calheiros devolveu para a FAB o custo apresentado pelo voo que fez Brasília - Recife - Brasília para implantar cabelos. E está tudo bem... Mas a viagem num jato comercial equivalente lhe custaria cerca de R$95 mil. Ele pagou 20 mil. 
*** 
A lista é longa, leitor. 
Eu me pergunto se o Brasil optou pelo escracho: faz de conta que é verdade, faz de conta que eu acredito que é verdade, eu sei a realidade, você sabe que eu sei, mas vamos deixar assim, tá? 
Um túnel tão iluminado por fantasias que ninguém quer ver o negrume que existe no final: um negrume feio de radicalismos e fanatismos que estão se formando lenta mas inexoravelmente, cujos sinais estão claramente visíveis nas execuções, na violência desmedida e na censura crescente por razões politicamente corretas.
Ana Monteiro Diniz (http://amdiniz.blogspot.com.br), segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Escritora e jornalista, nasceu em Oriximiná.

 

Fim da Zona Franca de Manaus?

Com o fim da Zona Franca de Manaus a pedido da União Europeia, políticos amazonenses culpam o Planalto

BLOG DO PEDRO MÁRIO
Política e Marketing Político e Eleitoral na Amazônia

MANAUS – chego à capital amazonense e observo os ânimos acirrados de políticos e empresários motivados pela ação da União Europeia que pede o fim da Zona Franca de Manaus contra os benefícios fiscais concedidos pelo governo brasileiro. A União Europeia entrou com queixa formal contra o Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC). O Ministério da Indústria e Comércio Exterior, silenciou. Limitou-se a dizer que o assunto está sendo tratado pelo Itamarati.

O pedido da União Europeia já começa a ser analisado em Bruxelas, na Bélgica, para que o governo brasileiro reveja os benefícios que concede  à Zona Franca argumentando que isso viola as regras internacionais do comércio. O pedido se estende a mais oito cidades da Região Norte.

Para os europeus, a política industrial brasileira concede vantagens  fiscais discriminatórias na Amazônia brasileira, o que viola as regras da OMC e tendem a se espalhar por vários países emergentes entre eles a China, Índia e Rússia.

Outras zonas de livre comércio também fazem parte  da ação movida pela União Europeia junto a OMC.  Boa Vista e Bonfim, em Roraima; Tabatinga, no Amazonas; Guajará Mirim, em Rondônia, Macapá e Santana, no Amapá, além de Basiléia e Cruzeiro do Sul, no Acre. No caso destas zonas, os privilégios são nos impostos sobre o comércio que não representam lá grande importância para seus estados devido à localização geográfica e a distância dos grandes centros de consumo. Mas há três décadas gerou uma corrida para o comércio de Manaus, hoje substituída pela Ciudad del Este, fronteira do Paraguai com o Brasil.

Para ter uma ideia, o Amazonas registrou só em janeiro deste ano, cerca de 700 milhões em impostos. Pelo menos quase a metade desse total  vem  da maioria das empresas do Polo Industrial de Manaus, que no último ano  fechou  com um faturamento acima de R$75 bilhões de reais, sendo que o setor de informática é um dos que mais contribuem para esse desempenho.

A ironia é que isso acontece justamente às vésperas da votação da PEC, no Congresso Nacional, que  defende a prorrogação da ZFM por mais cinquenta anos, hoje obstruída pelos partidos de sustentação do governo da presidente Dilma Rousseff em função da reforma ministerial, principalmente as várias alas do PMDB, principal sócio do PT no governo federal, e o interesse das bancadas do Sul do país que sempre torceram o nariz contra incentivos que beneficiam a capital amazonense.

http://www.pedromariodacosta.com/

 

Petróleo: um fator gerador de riqueza do Pará ofuscado pelo programa Pré-Sal

BLOG DO PEDRO MÁRIO
Política e Marketing Político e Eleitoral na Amazônia

Que o Pré-Sal é uma grande jogada de marketing do governo do PT, ninguém tem dúvida. Estima-se que a produção de petróleo para valer só venha a ocorrer, mesmo, daqui a alguns anos, a partir de 2020.

Enquanto isso as chamadas áreas de interesse na produção de petróleo e gás  deixaram de fazer parte do interesse do governo. A maioria, praticamente parada desde o governo do presidente Lula quando foi lançado o programa com enorme estardalhaço e apoio da grande mídia que ingenuamente ou não, caiu no conto petista.

A Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, maior produtora de petróleo do país, por encontrar-se em fase de maturidade, ou seja, de produção máxima, tende a diminuir dentro de uma década. Por tese, essa queda de produção deveria ser coberta por outras áreas. Mas o Pré-Sal ofuscou áreas potencialmente produtoras de petróleo e gás no Brasil onde se inclui  o Pará.

Cercado pelas bacias sedimentares Pará-Maranhão e Bacia do Parnaíba, ambas com grande área de reservas em território paraense, além da Bacia do Amazonas que se estende até o sudeste do Pará, conhecida como formação Monte Alegre, o estado poderia ser uma grande saída para substituir a inevitável queda de produção da Bacia de Campos caso os investimentos fossem canalizados para esta região.

Mas a atenção dos paraenses se aguçou, mesmo,  quando foi revelado que a região de Salinópolis, no Nordeste do Estado, é potencialmente rica com a presença de óleo e gás. O fato, é que os estudos iniciais indicaram que, em termos de profundidade, a exploração no Pará seria extremamente viável – faixa de 2 mil metros contra os 7 mil metros do Pré-Sal que exige muito mais tecnologia e absorção de recursos.

Segundo dados que podem ser obtidos junto à Agência Nacional do Petróleo ( ANP), o óleo encontrado em Salinas é considerado de excelente qualidade. Em termos comerciais, o petróleo extraído em território paraense por ter baixo teor de enxofre, teria padrão acima o da Arábia Saudita, considerado, hoje, um dos melhores do mundo. Isso deixaria o petróleo aqui extraído muito valorizado perante o mercado internacional.

Outro fator marcante é a existência de gás natural na Bacia do Parnaíba, da qual o Pará é parte integrante, com volume estimado em 5 trilhões de pés cúbicos de gás. Sua exploração traria inúmeras vantagens para o Pará e estados vizinhos pelo grande volume de gás natural que possui. Energia capaz de gerar  processos mais rentáveis em função do seu baixo custo de exploração e comercialização que além de atender projetos como o de Carajás e a verticalização da sua produção como as siderúrgicas de Marabá e o polo de alumínio em Barcarena, seria grande indutora na atração de novas indústrias consumidoras de grande quantidade de energia térmica como é o caso do beneficiamento da alumina e da produção de chapas de aço.

Mas como o Pré-Sal é ancorado em fato mais político do que comercial, a verdade é que o governo brasileiro praticamente parou todas as iniciativas para colocar outras áreas consideradas de interesse para a produção de óleo e gás no país em segundo plano, preocupado em preparar o leilão do Pré-Sal  cujos desdobramentos em termos midiáticos, todos conhecemos.

Segundo o balanço mais recente, divulgado no final do ano pela ANP, o Brasil produziu no último ano cerca de 2,49 milhões de barris por dia com participação de 26 empresas que operam em 313 concessões. O Pré-Sal contribuiu com 371,3 mil barris com 21 poços produtores em operação.

E agora. Quem aposta no desempenho da economia paraense nos próximos anos?

A verdade é que com ou sem petróleo, o Pará tem perspectiva de ser um gigante brasileiro daqui a 15 anos, com ritmo de crescimento equivalente ao de uma China, apostam empresários e políticos que não escondem seu entusiasmo com o surgimento de novos polos de desenvolvimento instalados em várias frentes no interior ao mesmo tempo em que são reticentes aos gargalos sociais que o estado enfrenta.

O estado atravessa uma transição econômica atípica em relação aos demais estados  brasileiros, particularmente os amazônicos, em função do momento em que vive alguns de seus municípios. Diferente, por exemplo, do vizinho estado do Amazonas, que fez de sua capital, Manaus, uma verdadeira cidade estado com o projeto bem sucedido da Zona Franca industrial, para orgulho dos manauenses. A maioria dos investimentos feitos pelo estado é praticamente canalizada para a capital. Enquanto isso os demais municípios amazonenses, em sua absoluta maioria, sofrem com a pobreza e a dificuldade pela existência das grandes distâncias e pela falta de infraestrutura.

No Pará, ao contrário, afastados das atividades tradicionais a que eram vocacionados há décadas,  muitos municípios partiram para um novo estágio de desenvolvimento que indiretamente vem afetando as demais cidades vizinhas.

Estrategicamente espalhados nas diversas regiões do estado, esses municípios ajudam o Pará a mudar de cara e a caminhar para se tornar um gigante com um crescimento bem mais acelerado que o restante do Brasil nos próximos 15 anos. Mesmo  com o desafio de atravessar os atuais gargalos da estrutura social e econômica que afeta o estado como um todo.

O estado está deixando de ser somente extrativista para se dedicar a atividades econômicas que até então não tinham expressão nenhuma. É o caso da produção de grãos. O Pará não produzia nada. Hoje já produz 1 milhão de toneladas. E isso não vai ficar por aqui uma vez que dos atuais 27 milhões de hectares de pastagens, a tendência é que pelo menos um terço dessa área migre para outros usos como a própria produção de grãos, reflorestamento para aproveitamento industrial, fruticultura, e o uso racional da terra para o crescimento do rebanho bovino que atualmente já ultrapassa 18 milhões de cabeças.

Quem se acostumou a andar pelo interior percebe que pequenos aglomerados urbanos hoje viraram verdadeiras cidades, tanto sob o ponto de vista populacional como o econômico.  É o caso de Brejo do Meio, Morada Nova, Vila Santa Fé, Vila União e Capistrano de Abreu, apenas para citar algumas comunidades localizadas em Marabá que sonham em se tornar municípios. Essa pulverização da população que aumenta a cada ano, constituída principalmente de imigrantes vindos de outros estados, já soma 8 milhões de habitantes e tende a crescer. Com isso, os investimentos na construção civil se aceleram. São estradas, pontes e equipamentos sociais necessários para atender o crescimento da demanda populacional. E isso já é visto de forma bastante positiva pelo volume de obras que se vê em diversas regiões do estado. A construção civil, aliada a outros setores de atividades, passou a ser um grande gerador de empregos, embora ainda não atenda a demanda que o estado precisa.

Mas o Pará vive um paradoxo. É rico de imensos potenciais mas cercado de uma pobreza vista de muitos ângulos e de grandes vazios econômicos. São áreas que já passaram pelos ciclos da pecuária extensiva e da madeira e que ainda não encontraram saídas para se posicionar perante o crescimento que vive muitas regiões do estado.

Um dos grandes problemas visto pelo atual governo é que a pulverização da população espraiada pelo estado exige a necessidade de se fazer obras públicas para atender, muita das vezes, pouca gente, o que demanda muito recurso para investimento e custeio. Outro fator preocupante é a capacitação de mão de obra para atender às várias frentes que surgem a cada projeto em andamento. É o caso de municípios como Castanhal, Paragominas , Tailândia e Tomé Açu, na região Nordeste do Estado; Barcarena, no Baixo Tocantins; Parauapebas, Marabá, São Felix do Xingu, no Sul;  Santarém, Juruti e Oriximiná, no Oeste; Altamira e Mediciândia, no Meio-Oeste, apenas para citar alguns que hoje experimentam nova fase de desenvolvimento.

O grande desafio, na visão do próprio governo, é que as atividades econômicas iniciadas em muitos dos municípios paraenses estão intrinsecamente ligadas com o próprio potencial do estado. A preocupação, hoje, é ordená-lo em direção a um futuro não muito distante. É o caso das grandes jazidas de minérios, o aproveitamento dos recursos hídricos para a geração de energia, o surgimento da agricultura vista de outro ângulo que não a extrativista, como é o caso da produção cacaueira que vem aumentando nos municípios da Transamazônica e o óleo de palma, no Nordeste do Estado, para a geração do biodiesel.

Mas, enquanto isso não acontece, o Pará continua enfrentando suas mazelas sociais. E o que se vê é que entra governo e sai governo e os problemas que afligem milhares de cidadãos continuam sendo o grande gancho para as manchetes dos jornais, notadamente os de oposição ao governo.

Quem sabe com as eleições deste ano que já se apresentam à porta, venham a ter os paraenses, novas e boas perspectivas de curto prazo que possam minimizar os problemas que afligem a todos. Mas com a consciência de saber que em tempo de eleições toda promessa vinda de políticos dos mais diversos matizes, não é dívida. Bem entendido.

http://www.pedromariodacosta.com/

 
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