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Pássaros Juninos

Júlia Morim

Um teatro popular, que combina teatro, música, dança e literatura, com lições de humanidade e respeito à natureza, os Pássaros Juninos são uma das mais criativas manifestações da cultura popular paraense. As apresentações, que acontecem durante as festividades do mês de junho, estão divididas em duas vertentes — Cordão de Pássaro e Pássaro Junino ou Pássaro Melodrama Fantasia — e apresentam características diferentes no modo de apresentação.

O Cordão de Pássaro, cuja incidência maior está no interior do Pará, se apresenta em espaços abertos, em formato de semicírculo, com a presença dos integrantes em cena o tempo inteiro. O Pássaro Melodrama Fantasia, característico da capital, é também chamado de Ópera Cabocla, pois faz uso de palco, cortina, coxias e iluminação. Segundo Maués (2009, p.1) “em Belém, os pássaros juninos receberam a influência dos grandes espetáculos — óperas, operetas, burletas e revistas — encenadas no Teatro da Paz, no período faustoso da borracha, a chamada Belle Époque, quando se deu a construção da grande casa de espetáculos”.

A narrativa do espetáculo gira em torno da caçada, morte e ressurreição de um pássaro, o personagem central. A esta estrutura base somam-se outros personagens, a exemplo de fazendeiros, matutos, índios e nobres. No caso do Pássaro Fantasia, as histórias são melodramáticas e traduzem a luta do bem contra o mal, com o intermédio do matuto, responsável pela carga cômica para a encenação. De acordo com Maués (2010, p.41), o Pássaro Junino fala “sobre e para o homem comum” por meio de “sua maneira de olhar e entender o mundo — às vezes contraditória, mas, talvez por isso mesmo, ricamente poética”.

Os grupos são batizados com nomes de aves: Tucano, Rouxinol, Tangará, Uirapuru, Beija-Flor, Tem-Tem. Cada Pássaro tem um guardião, que é coordenador dos espetáculos e responsável pelo grupo. Atualmente, há vários grupos no estado do Pará, entretanto sua atuação vem diminuindo desde a década de 1990, notadamente, no caso dos Pássaros Juninos, devido ao encerramento das atividades do Teatro São Cristóvão.

Essa opereta popular, cuja origem data do último quartel do século XIX, é referência de identidade para o povo paraense. Não há registro dessa manifestação além das fronteiras do estado. Diferente de outras manifestações da quadra junina, trazidas da Península Ibérica, os Pássaros Juninos, segundo Paes Loureiro — que o define como um teatro popular musicado — é criação brasileira e por isso devem ser valorizados (BICO, 2013). Recentemente foi instituído como patrimônio cultural de natureza imaterial do Estado do Pará, pela Lei Estadual nº 7.352/2009.

Recife, 19 de maio de 2014.


FONTES CONSULTADAS:
BICO, Ingrid. Cortejos de 'Pássaros Juninos' são tradição de São João no
Pará. In: PORTAL G1 – Pará. 15 jun. 2013. Disponível em: 
<http://g1.globo.com/pa/para/sao-joao/2013/noticia/
2013/06/cortejos-de-passaros-juninos-sao-tradicao-de-sao-joao-no-para.html>. Acesso em: 10 maio 2014. 
maio 2014. 
MAUÉS, Marton. Pássaros juninos do Pará: a matutagem e suas relações com
o cômico popular medieval e renascentista. Repertório: Teatro & Dança
Dança, Salvador, ano 13, n. 14, p. 37-41, 2010. Disponível em:
<https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/
ri/2034/1/4662-11938-1-PB.pdf>. Acesso em: 18 maio 2014.
maio 2014.
______.  Breve vôo sobre o universo imagético do pássaro junino
paraense. Revista Ensaio Geral, Belém, v. 1, n. 1, jan-jun. 2009.
Disponível em:
<http://www.revistaeletronica.ufpa.br/index.php/
ensaio_geral/article/viewFile/99/29>. Acesso em: 20 maio 2014.
maio 2014.

Júlia Morim
Consultora Fundaj/Unesco
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